Em 10 anos de PIX dinheiro em circulação será reduzido a um terço

19 março 2020
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Por Boanerges Ramos freire

Como se não bastassem todas as vantagens já conhecidas dos pagamentos eletrônicos, a pandemia do COVID-19 reforçou a necessidade de evitarmos o quanto antes a circulação de dinheiro em cédulas de papel. Felizmente a solução já está a caminho e atende pelo nome de PIX.

Em 2019 cerca de 31% de todos os valores pagos pelos consumidores brasileiros aconteceram com a utilização do dinheiro vivo, mas essa proporção deve diminuir rapidamente com a entrada em funcionamento do novo sistema de pagamentos instantâneos prevista para acontecer em novembro de 2020. Com esse novo método, em 10 anos (2029), a movimentação de notas e moedas na economia do país deve sofrer uma redução de quase dois terços. A expectativa é de que, ao final desta década, apenas cerca de 11% dos valores pagos pelos consumidores sejam feitos pelo instrumento mais tradicional, com tendência de continuar diminuindo nos anos seguintes.

Esta é uma das principais constatações do estudo que desenvolvemos intitulado “Pagamentos Instantâneos em contexto. Como pagamos: passado relembrado, presente vivido e futuro imaginado”.

Num cenário considerado conservador, em 2029 os pagamentos instantâneos já movimentarão um montante de R$ 727 bilhões, que representaria 11% de um total de R$ 6,6 trilhões, que serão movimentados no consumo privado brasileiro naquele ano. Enquanto isso, uma visão mais agressiva prevê que este tipo de solução já terá conquistado 20% deste montante e movimentará R$ 1,36 trilhão. 

Toda essa transformação se dará principalmente em função dos benefícios reais que os pagamentos instantâneos oferecerão para os diversos participantes envolvidos nas transações de pagamentos.

Podemos citar como exemplo o fato de que os pagadores/consumidores poderão ter maior rapidez e segurança, menor custo e aumento de praticidade. Isto acontecerá porque eles poderão usar simplesmente suas listas de contatos do telefone celular, um e-mail ou um código eletrônico (QR Code) para iniciar um pagamento, além da possibilidade de integração com outros serviços do smartphone.

Por sua vez, os recebedores/vendedores terão a disponibilidade imediata dos recursos transferidos, com facilidade e rapidez de checkout (sem a necessidade das maquininhas de POS), e maior facilidade de conciliação de pagamentos.

Essas características trarão ao ecossistema maior competição entre meios de pagamentos, estímulo à entrada de fintechs e big techs e maior potencial para a inclusão financeira.

O volume de transações feitas com pagamentos instantâneos deve superar o dinheiro antes do final dessa década. O futuro mostra um cenário de convivência entre cartões, mobile e pagamentos instantâneos. Neste ambiente os plásticos serão puxados pelo crédito e embarcados em novas tecnologias. Assim, o pagamento será cada vez mais meio – como é corretamente chamado –, baseado em inclusão, alta eficiência e baixo custo, e menos um negócio em si.

Boanerges Ramos Freire é presidente da Boanerges & Cia, consultoria especializada em varejo financeiro




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